Identificação profissional - Sua obra no Catálogo Oficial
A ficha catalográfica é um elemento fundamental em qualquer livro, funcionando como a sua “identidade” dentro do universo bibliográfico. Ela organiza e padroniza informações essenciais, como autor, título, assunto e data de publicação. Essa padronização é crucial para que a obra seja facilmente localizada e catalogada por bibliotecas, livrarias e sistemas de busca. Além disso, atende a uma exigência legal, sendo obrigatória para a obtenção do ISBN. Em resumo, ela garante que seu livro seja encontrado, reconhecido e tratado com profissionalismo no mercado editorial.
O que é a Ficha Catalográfica?
A Ficha Catalográfica (também conhecida como Catalogação na Fonte ou Catalogação na Publicação – CIP) é um registro bibliográfico padronizado que contém as informações essenciais para identificar e localizar um livro em uma biblioteca ou base de dados. Ela reúne dados como autor, título, assunto, ISBN, entre outros, seguindo normas internacionais de catalogação.
No Brasil, a sua elaboração é tradicionalmente feita pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN), por meio do Setor de Catalogação na Fonte. Após a extinção da FBN, suas atribuições foram transferidas para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mas o serviço continua sendo conhecido pelo nome original. Editores e autores são os responsáveis por solicitá-la.
Onde ela fica localizada no livro?
A ficha catalográfica é quase sempre encontrada no verso da página de título (a primeira página do livro, que contém apenas o título e o autor). Sua localização padronizada facilita enormemente o trabalho de bibliotecários e livreiros.
Quais são os Elementos de uma Ficha Catalográfica?
Uma ficha típica contém as seguintes informações, estruturadas de maneira específica:
Cabeçalho: Indica o ponto de acesso principal, que é geralmente o sobrenome do autor principal (ex.:
Machado, Paulo).Título e Responsabilidade: Inclui o título completo e subtítulo (se houver), seguidos pelos autores, organizadores, tradutores, ilustradores, etc.
*Exemplo:
A psicanálise dos contos de fadas / Bruno Bettelheim ; tradução de Arlene Caetano.
Edição: Indica o número da edição (ex.:
3. ed.).Imprenta (Local, Editora, Data):
*Exemplo:
São Paulo: Paz e Terra, 2019.
Descrição Física (Colação): Fornece dados materiais do livro.
*Exemplo:
320 p. : il. ; 23 cm.Isso significa: 320 páginas, com ilustrações, medindo 23 centímetros de altura.
Série e Notas: Podem incluir informações sobre coleções, títulos originais de obras traduzidas, etc.
*Exemplo:
(Série Psicologia e Pedagogia).
ISBN (International Standard Book Number): O número de identificação único do livro.
*Exemplo:
ISBN 978-85-1234-567-8
Assuntos (Palavras-chave): A parte mais importante para a recuperação da informação. São os descritores de assunto padronizados, baseados em vocabulários controlados como o Vocabulário Controlado da Biblioteca Nacional.
*Exemplo:
1. Contos de fadas - Aspectos psicológicos. 2. Criança - Psicologia. I. Título.
CDD / CDU: São os sistemas de classificação que determinam a “localização física” do livro na estante de uma biblioteca.
CDD (Classificação Decimal de Dewey): Um código numérico (ex.:
155.4). Muito comum em bibliotecas públicas e escolares.CDU (Classificação Decimal Universal): Um código alfanumérico (ex.:
159.922.72). Mais comum em bibliotecas universitárias e especializadas.
A Importância da Ficha Catalográfica
A ficha catalográfica é muito mais do que uma mera formalidade. Ela é fundamental por várias razões:
1. Para Bibliotecas e o Sistema de Informação
Catalogação Rápida e Padronizada: Elimina a necessidade de cada biblioteca catalogar o livro do zero, economizando tempo e recursos.
Controle Bibliográfico Nacional: Permite que o órgão nacional (a Biblioteca Nacional) mantenha um registro de toda a produção editorial do país.
Organização e Recuperação da Informação: A classificação (CDD/CDU) e os assuntos padronizados permitem que o livro seja corretamente armazenado na estante e facilmente encontrado por outros usuários que buscam temas similares.
2. Para o Leitor e Pesquisador
Facilita a Busca: Um estudante ou pesquisador pode localizar o livro no catálogo da biblioteca buscando por autor, título ou, crucialmente, por assunto.
Oferece um Resumo Técnico: A ficha fornece uma visão rápida e precisa do conteúdo e do contexto da obra (quem escreveu, quem traduziu, qual é a edição, etc.).
Descobre Obras Relacionadas: Ao buscar um livro por seu assunto ou classificação, o usuário acaba encontrando outros livros sobre o mesmo tema nas proximidades da estante.
3. Para o Autor e a Editora
Conformidade Legal: No Brasil, a ficha catalográfica é obrigatória para toda obra publicada, de acordo com o Decreto-Lei nº 1.825/1907 e a Lei do Depósito Legal (Lei Nº 10.994, de 2004).
Profissionalismo e Credibilidade: A presença da ficha confere seriedade à publicação, indicando que o livro segue os padrões técnicos do mercado editorial.
Distribuição e Vendas: Livrarias e distribuidoras, especialmente as que atendem instituições de ensino e bibliotecas, dão preferência a livros que possuem a ficha, pois ela simplifica seu processo de cadastro e estoque.
Quem pode elaborar a Ficha Catalográfica?
Via Oficial (Recomendada): Solicitação à Biblioteca Nacional (por meio da Fiocruz). Este é o método mais autorizado e garante que a ficha fará parte do acervo e do controle bibliográfico nacional.
Via Alternativa (Profissional): Contratação de um bibliotecário devidamente registrado no Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB). Muitos editores optam por essa via por ser mais ágil, e o trabalho do bibliotecário é igualmente técnico e válido.
Conclusão
A ficha catalográfica é, portanto, a “carteira de identidade” do livro no mundo do conhecimento organizado. Ela é um elemento técnico e obrigatório que conecta a obra ao seu público-alvo, garantindo que ela possa ser encontrada, acessada e utilizada de maneira eficiente por leitores, pesquisadores e instituições. É um pequeno retângulo de texto que carrega uma enorme importância para a vida útil e o alcance de uma publicação.